Muitos médiuns não gostam do sincretismo, o negam inclusive, mas temos considerações a fazer, partindo de três pontos pela qual considero alicerces da formação da umbanda no Brasil, quais sejam: Africanização, Sincretismo e Branqueamento. A africanização nos remete ao estilo nacional que foi se formando, apresenta características de países africanos, características sempre presente no cenário Nacional, fome, miséria, mortalidade elevada e até doenças já erradicadas em países desenvolvidos, claro que hoje o cenário tem melhorado, mas para adentrarmos ao cerne da questão devemos recapitular o Brasil antigo, no início umbandista onde negros africanos eram jogados covardemente em nosso país. Primeira parte da sustentação umbandista que considero importante para a base, junto a isso vieram as culturas afro e religiões nativas.
A segunda parte que considero consequência da primeira trata-se do sincretismo, onde os cultos tambor de mina, o batuque, nagô, candomblé e muitos outros importados pelos escravos, tiveram a dura missão de adaptação à Igreja Católica, fazendo a junção dos santos católicos, ou melhor, elegendo santos e o próprio Cristo, como representantes dos Orixás. Por meio dessa inteligente junção foi possível vermos o desenvolvimento da religião genuinamente nacional.
A terceira parte, que consideramos mais polêmica, trata-se do chamado Branqueamento, nome horrível por sinal, mas, assim batizado historicamente, nos remete aos anos vinte do século passado, onde também o espiritismo de Allan Kardec, vinha se disseminando, analisamos como um modo preconceituoso de ver a questão, mas, os cultos já em mistura católica, ainda misturou-se ao Kardecismo.
Existia uma situação de preservação de patrimônios culturais dos negros escravos e seus descendentes, contudo, a Umbanda tornou-se uma religião nova afastando-se do movimento tribal inicial vindo do Candomblé e os outros seguimentos religiosos africanos, pois, o culto do candomblé por exemplo era para antepassados familiares e da aldeia. Lamentavelmente a família se perdeu com a escravidão e o catolicismo aniquilava as chances de evolução das religiões afro, mas com os cultos mesmo sincretizados a esperança era revivida e assim as religiões afro foram heroínas da resistência.
O próprio catolicismo que tem a cultura de inclusão social não fez oposição ao fato do negro manter dupla ligação religiosa. As religiões sempre foram dependentes do catolicismo, somente recentemente, com a ajuda do próprio crescimento do segmento evangélico, os umbandistas, candomblecistas e outros, perceberam que o catolicismo não era a única fonte de expansão de consciência espiritual e ideológica, então, fizeram esforço para alavancar e sedimentar suas religiões.
A Umbanda desde o início teve o chamado tripé, caboclo, preto velho e criança, pelo motivo de sempre ter em sua identidade, mesmo que em formação, a valorização de aspectos nacionais tais como os nossos índios, porém, não se pode olvidar da herança Kardecista disseminada entre os próprios adeptos da Umbanda, mas, lamentavelmente ainda era vista como baixo espiritismo.
Na atualidade o Candomblé, busca a desincretização com o catolicismo, com objetivo de resgate de origens e resgate de sua autonomia, algo diferente da Umbanda, talvez esteja aqui a confusão dos negadores do sincretismo, essa identidade de afastamento do catolicismo é do Candomblé e não da Umbanda. Porque na identidade da Umbanda tem o registro dos dados do catolicismo.
Situação que muitos sacerdotes já tarimbados ainda não entendem, que humildemente através desse ponto de vista, visemos a explicar. A Umbanda é justamente essa mesclagem, ainda dinâmica por sinal, pois, ainda foi agregando outros segmentos, tais como ciganos, orientais e outros. Claro que o Caboclo das 7 (sete) Encruzilhadas, em manifestação mediúnica através do médium Zélio Fernando de Morais em 15 de novembro de 1908, deve-se levar em consideração, a propósito, servindo de prova para a presente narrativa, a manifestação do caboclo deu-se em mesa Kardecista. Já existiam também os barracões, as chamadas "macumbas" e outros tipos de manifestação como a propria quimbanda e quiumbanda, que também devemos considerar nesse bojo.
Portanto, não confundam mais, e "negar por negar" não é uma boa estratégia, os alicerces da umbanda possui os três tópicos acima mencionandos, portanto, resgatar a identidade umbandista é procurar sincretizar ainda mais com os santos católicos, misturar ainda mais com cultos afros e aplicar ainda mais os estudos de Kardec, assim sendo, ao adentrarem em terreiros pelo Brasil e mundo, lembre-se desse estudo e pesquisa, assim poderão respeitar ainda mais os trabalhos ser querer impor entendimentos baseados apenas no próprio gostar.
Negação ao Sincretismo e Alicerces da Umbanda | Autor | Médium | Advogado | Agostinho de Siqueira Neto


Esse é um assuntão né?!!
ResponderExcluirSim, com certeza! Acredito ser importante dar uma vertente de entendimento com objetivo de agregar aos estudos dos interessados. Claro que entendo que há pessoas que não irão concordar, mas pelo menos minha parte eu fiz. Obrigado pela atenção e mensagem!
ResponderExcluir